Gestão Participativa e Cidadã - É Tempo de Maturidade na Gestão

Por volta de 1994, quando a internet começou a se popularizar no Brasil, começamos a ver e ouvir um termo muito comum nas rodadas de negócios, seminários empresariais, Best Sellers internacionais e “da boca” dos estudiosos da gestão: a palavra convergência. Como a rede mundial de computadores era a novidade do momento, houve associação direta da convergência às chamadas TIC´s – Tecnologias da Informação e Comunicação, e a tudo que se relacionava com a internet. Mas na verdade, a rede mundial de computadores foi e continua sendo a principal evidência de uma convergência muito mais ampla do que o mundo digital em si, com reflexos no comportamento das pessoas como cidadãos e como sociedade de consumo. De fato, a convergência não é só tecnológica, mas é também econômica, social e ambiental. Entramos em uma espécie de “zona temporal de transição”, um “recorte do tempo” que teve início por volta dos anos 90 e ainda não se moldou totalmente. Inevitavelmente, os negócios, as empresas e as formas de gestão foram transformados por este grande movimento. Surgiram novas possibilidades de compreensão e principalmente de conexão entre coisas que antes só funcionavam separadas. No primeiro mundo, pela primeira vez entendeu-se que o centro gravitacional da gestão estava nas pessoas e na sua capacidade de realização. Isso gerou uma nova visão de como empresas e outros tipos de organização poderiam ser beneficiadas a partir do momento em que a integração fizesse parte de sua cultura.

Kaplan e Norton, criadores do BSC – Balanced Score Card sistematizaram a conexão da gestão financeira a outros importantes extratos da administração, trazendo uma mudança sem precedentes para a forma de medir os resultados. Ao integrar pessoas, processos, mercado e finanças, inevitavelmente eles criaram uma demanda para que essa “engrenagem” funcione: a demanda por gestão participativa. Nasce aí o uso sistematizado de indicadores e a consolidação da administração por resultado. E seguindo as tendências, uma visão convergente do papel das pessoas, a relação de causa e efeito entre ações e resultados e a necessidade de que unidades de negócio ou setores de uma organização “dialoguem” para exercer papéis compartilhados. A gestão participativa então assume uma função essencial para o desenvolvimento, provocando as pessoas a repensar sua atuação enquanto autores do futuro.

Para que este modelo de gestão funcione há algumas premissas que são essenciais:

.::. As pessoas têm que entender que gestão participativa na prática significa assumir mais responsabilidade, mas significa também que se houver resultado pode haver recompensa;

.::. A figura do intraempreendedor (aquele que é empreendedor como colaborador) se torna muito bem vinda, pois dispara um senso de pro atividade, fator essencial para o sucesso da gestão participativa;

.::. Áreas ou setores que exercem funções diferentes precisam mais do que no processo de gestão convencional estar dispostas a dialogar, a trabalhar de forma muito mais colaborativa e eliminando quaisquer desacordos entre pessoas. Gestão participativa pressupõe maturidade, transparência de verdade e comunicação “olho-no-olho”;

.::. Como as responsabilidades passam a ser compartilhadas, a estrutura organizacional demanda flexibilidade. É um processo de “planificação”. Mesmo havendo um gestor que exerce o papel de liderança, sua função vai mais do que nunca, de encontro total ao papel essencial de um líder; orientação, integração, desenvolvimento de pessoas, sobretudo nas competências que necessitam e no aspecto da motivação;

.::. Como o próprio nome diz gestão participativa só existe quando há de fato a participação de todos e com 100% de comprometimento com os resultados.

Desta forma, percebe-se que qualquer organização que opte por adotar a gestão participativa precisa entender que se trata de um processo sistêmico, menos rígido sob o ponto de vista da hierarquia, mas mais centrado e justo sob o ponto de vista do compartilhamento de tarefas e resultados, bem como das recompensas associadas a estes. Considera-se uma evolução, uma forma mais moderna e futurista de conduzir o dia-a-dia e o processo de gestão. Isso reflete o aspecto da cidadania como fator crítico de sucesso na gestão participativa. O conceito de cidadania tem origem na Grécia clássica. Num primeiro momento se referia somente aos direitos dos cidadãos, como parte de uma sociedade. Com o tempo entendeu-se a relevância da contrapartida, considerando o crescimento da sociedade e a necessidade de organização sistematizada. Por isso os deveres do cidadão foram incorporados ao conceito e à prática da cidadania buscando sempre o equilíbrio destes dois atributos. Formou-se assim a cidadania como um conjunto de valores sociais.

Da mesma forma, ao implantar a gestão participativa, o sistema de gestão traz consigo deveres e direitos. Torna-se assim essencial, a criação de uma cultura diferente da gestão tradicional. A avaliação se torna 360 graus, com total transparência e integração. Líderes avaliam liderados. Liderados avaliam líderes. É a democracia com foco em resultados. É a avaliação com foco em desenvolvimento. É quando a crítica se torna construtiva e os elogios um “trampolim” para a evolução. Há organizações que baseadas nesta nova forma de cultura, adotam reuniões somente para apresentar os resultados e fazer uma análise crítica propondo melhorias conjuntas. Funciona muito porque a transparência é enfatizada e a base de medição de desempenho é 100% concentrada no resultado. Ou seja, para quem trabalha bem será muito interessante, pois é mais uma oportunidade de mostrar que sua proposta de valor é realmente relevante para o sistema participativo e cidadão do qual faz parte.

Assim, a gestão participativa chega ao cenário atual como um modelo de gestão transformador, com muita perspectiva de sucesso e aprimoramento das relações entre pessoas e até entre organizações que façam parte de um mesmo complexo. Como não poderia ser diferente, tudo depende das pessoas. Tudo depende do nível de compreensão de como a cidadania bem incorporada pode enriquecer um grupo que tem os mesmos objetivos. Tudo depende da capacidade humana de enxergar sutilezas que se escondem por detrás de novas formas de se organizar e os benefícios disso. Seja qual for o futuro que estamos vislumbrando, a cada segundo ele se transformará em presente e assim temos a chance de avaliar se estamos indo para o novo estado que sonhamos.

Escrito por Daniel Bizon
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