Humor Globalizado?

Os relacionamentos e contatos de negócios ao longo dos últimos anos vem tomando esta coloração globalizada, que muitas vezes causa confusões e alguns equívocos. Se atribuíssemos uma cor para a globalização, seria provavelmente furta-cor, respondendo diferentemente aos diferentes pontos de vista. 

Mesmo que não se aprofunde no estudo da diferenças étnicas e culturais para compor uma abordagem neutra e segura, creio que todos aqueles que já se expuseram algumas vezes neste ambiente globalizado, sentiram em algum momento a dificuldade de compreender e utilizar estas diferenças.

Inegavelmente, uma das abordagens interessantes e necessárias, mas muitas vezes arriscada, é do humor globalizado. Piadas não são traduzíveis na maioria das vezes, e quem tentou, já se viu em uma enrascada sem graça alguma vez. Mas por que?

É que as piadas e estórias engraçadas dependem do senso de humor que muitas vezes é reflexo da formação cultural e dos hábitos comportamentais de cada povo.

Recentemente ouví alguns exemplos interessantes na Ásia, que exploram estas diferenças culturais, às vezes a favor de uns, outras vezes a favor de outros. Mas normalmente ressaltando os aspectos mais populares de cada povo. Vamos ver alguns exemplos, pedindo desculpas aos que já conhecem:

Na primeira, conta-se que um excêntrico bilionário ofereceu um prêmio fabuloso para quem lhe mostrasse uma girafa verde. Diversas nações decidiram buscar o tal prêmio, cada uma à sua maneira...

- Ingleses iniciaram um profundo debate sobre o tema, questionando se realmente existiria tal animal.

- Alemães iniciaram uma pesquisa para saber se existiria algum registro científico sobre a existência da girafa verde.

- Americanos simplesmente enviaram as suas forças armadas ao mundo todo em busca da girafa verde.

- Japoneses inciaram uma pesquisa genética para desenvolverem a girafa verde a partir das girafas normais.

- Chineses saíram para comprar tinta verde...

O mais marcante desta primeira estória é o reconhecimento da rapidez e a esperteza proverbial dos chineses, que hoje aterrorizam o mundo todo com o seu pragmatismo.

Na segunda estória, um luxuoso transatlântico de cruzeiro está para afundar e o capitão procura maneiras mais convincentes para fazer com que os passageiros pulassem ao mar rapidamente...

- Aos americanos ele diz: "Vocês serão considerados verdadeiros heróis se saltarem imediatamente!".

- Aos ingleses: "Aqueles que saltarem imediatamente serão considerados verdadeiros cavalheiros!".

- Aos alemães: "As regras exigem que nas circunstâncias presentes, vocês saltem imediatamente ao mar!".

- Aos italianos: "As mulheres admirarão e farão qualquer coisas por aqueles que saltarem imediatamente!".

- Aos franceses: "Por favor, não saltem!".

- Aos japoneses: "Estão todos saltando ao mar!".

- Aos chineses: "Há muitos peixes deliciosos no mar!".

- Aos coreanos: "Os japoneses estão todos saltando ao mar!".

Nesta segunda estória, explora-se além das características tradicionais dos povos ocidentais, a relações dentre estes países asiáticos e suas características. Talvez sejam menos conhecidos entre nós o proverbial comportamento de "manada" dos japoneses, e a suposta tendência dos coreanos em copiar os japoneses em tudo...

Estas duas estórias são bastante conhecidas e exploram aspectos que identificam os diferentes povos através do seu senso de humor e dos comportamentos vistos como característicos. Claro que nos negócios é muito arriscado assumir que os profissionais se comportam de acordo com qualquer estereótipo estabelecido ou imaginado.

Mas em ambas estórias, provavelmente o colega proveniente de cada um destes povos identificaria traços comportamentais, reconheceria a sua percepção sobre diferenças culturais e serviria para quebrar o gelo. Claro que são estórias para se contar à mesa num jantar ou durante o coquetel...

Talvez o mais importante deste exercício seja saber como somos vistos pelo demais e incorporar um pequeno acervo de estórias que demonstrem como somos, para facilitar a relação. Mas recomendo evitar ser excessivamente auto-depreciativos, que é uma das nossas características já conhecidas...

Escrito por Yoshio Kawakami
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