Pensamento estratégico na atualidade

Desviando de “Duendes” e “Fadas” sem Desviar do Destino

O Brasil é o país do futuro. Renato Russo já cantava esse verso nos “tempos de ouro” da Legião Urbana. Para os pessimistas, o Brasil não é o país do futuro. Nem o Brasil, nem lugar algum. Mas para os estrategistas é. No próprio conceito de estratégia há uma grande expectativa do futuro. Até porque os verdadeiros estrategistas constroem o futuro, com ou sem esperança de terceiros, com ou sem cenário otimista, com ou sem clima de confiança. Estratégia é construir o futuro, de um jeito singular. Mas o maior desafio da estratégia é não perder de vista o motivo que a fez nascer.

Anos atrás convivíamos com o problema da desinformação. As enciclopédias eram a esperança. Hoje vivemos o problema da imensurável densidade de informação. Atualmente, difícil é escolher informação e ter a habilidade de planejar e executar com simplicidade. As melhores estratégias são simples. Têm começo meio e fim. Têm ponto de partida e ponto de chegada. Têm plano B, mas sem perder de vista o objetivo do plano A. Se tiver que mudar de rota, a essência do que se espera é a mesma. Por exemplo, se uma empresa criou uma estratégia para atender um novo mercado e no transcurso do tempo percebe que não houve resposta desse público, muda-se o público, muda-se o canal, mas o que importa é não perder de vista a visão da empresa. Lembre-se que a visão é a expressão de um sonho. Não se mata um sonho porque as primeiras tentativas não deram certo. Isso é estratégia.

Em meio à densidade de informação atual, há outro grande perigo que são as “fadinhas e duendes”. São as ofertas que aparecem no seu caminho ou no caminho da sua empresa que são verdadeiros testes de posicionamento; guerra de preços induzida pelo mercado, ofertas de parcerias “sem pé nem cabeça”, gente prometendo “paraísos e ilhas desertas”, empregos “sem igual”, investimentos com “risco zero” e por aí vai. A história se repete. As “fadas sedutoras” renascem. Os duendes reaparecem. E as pessoas, centro gravitacional de qualquer negócio ou carreira se esquecem do velho ditado; “quando a esmola é muita, o santo desconfia” (deveria desconfiar). Não existe grande negócio que “cai do céu” e jamais existirá. Os “milagres” são diretamente proporcionais ao esforço de quem os fez.

Há sim, uma nova tendência no mercado que é uma oportunidade para empresas e profissionais; o crescimento dos nichos. Nichos são mercados mais específicos, com um perfil bem definido. Clientes represados esperando uma solução que faça o “job”, que dê a solução. Há quem diga que os nichos são mercados menores. A maioria sim, mas nem todos. Há nichos que praticamente são mercados de massa.  Lembre-se que todo mercado de massa, já foi um nicho. Um exemplo atual é o nicho dos adultos que necessitam aprender inglês, sem as delongas do método tradicional de ensino. Alguém enxergou esse nicho enorme. Chama-se Wise Up, escola de inglês que entrou num espaço de mercado inexplorado, que estava bem “na cara” de todo mundo. Pura visão. Visão do “job”, da tarefa que seus alvos precisavam realizar, mas não encontravam solução. Visão muito estratégica. Mérito dos criadores.

Em um mercado tão cheio de conflitos, barreiras e informação, às vezes se torna difícil manter a cabeça no lugar. Por isso alguns pontos são foco de observação para ter sucesso com a estratégia e manter o foco no que interessa:

.::. Seja qual for o seu objetivo, pessoal ou empresarial estude o cenário antes de planejar sua estratégia. Em outras palavras, saiba “em que terra está pisando”. Tome conhecimento dos detalhes.

.::. Construa um planejamento estratégico realista, objetivo e motivado por um sonho. Visões de futuro sem um propósito são frágeis e qualquer “fadinha ou duende” tira você do foco.

.::. Aprenda a pivotar (mudar de direção) sem se perder; o estrategista do século XXI mescla a habilidade de ter foco no longo prazo, com a perspicácia de mudar de rota sem perder de vista o alvo.

.::. Ouça os clientes; eles são os melhores consultores do mundo. Nas palavras de Steve Blank “saia do escritório, não há fatos dentro dele”. Se você não encontra seus clientes, ouça-os pela internet. Pergunte. Se o seu objetivo é pessoal, peça feedback.

.::. Cuidado com “uma grande oportunidade de negócio” ou com “oportunidades imperdíveis”. Ninguém, que tem um grande negócio em vista sai por aí espalhando num holofote. Desconfie de quem você não conhece. Confiança se constrói e dá trabalho. Negócios também.

Estratégia é criar um caminho seu. É buscar singularidade em detrimento da mera diferenciação. Diferenciar não passa de se parecer um pouco com o outro. O estrategista inova. Lembre-se de que é muito fácil perder o foco num tempo de hipercompetição e hiperinformação. Nada pode ser mais volátil do que a capacidade de construir a longo prazo. Lembre-se que duendes e fadas existem, geralmente no universo da alucinação. Siga em frente desviando dos caminhos da tentação barata. Como diz o ditado, “com a cabeça nas nuvens, mas os pés, no chão”.

Escrito por Daniel Bizon
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