Quer um sinal de evolução?

O que você acha dos dias que estamos vivendo? Preocupações com o crescimento econômico e com oportunidades para os jovens tem afetado o seu sono? Que futuro podemos imaginar para a sociedade? Que propósitos devemos estabelecer para gerar soluções necessárias?

Acredito que ao pensar no futuro dos seus filhos, você também franze a testa e espreme os olhos imaginando as dificuldades que a situação atual poderá impor a eles. Parece-me que se não renovarmos os valores e substituirmos alguns parâmetros obsoletos, não encontraremos o caminho da evolução necessária. É fundamental mudarmos a nossa maneira de pensar as coisas para encontrar novas soluções.

Deixei de postar novos textos neste espaço durante os 22 dias em que estive de férias. Passei estes dias em companhia da Luci e de mais dois casais de amigos, viajando pela terra natal dos meus pais, apreciando a chegada da primavera com a florada das cerejeiras.

Mesmo em férias, a oportunidade de aprendizado e reflexão chama a nossa atenção e nos propõe ver certas coisas de maneira diferente.

Um sinal de evolução muito simples e pequeno exigiu a reversão de uma lógica que sempre me pareceu muito natural. Nada complicado. Aliás, chocante pela simplicidade.

Sempre achei que o problema da sujeira nas cidades se devia ao fato de não existirem suficientes lixeiras públicas. Considerando que a maioria das pessoas não gosta de sujeira, pensava que a falta das lixeiras era uma das causas do lixo espalhado indevidamente.

Mas o que me chocou foi não encontrar lixeiras para descartar o que já não era útil. E no entanto, não havia sujeiras no chão! Como assim? É lógico que se as pessoas não encontram lixeiras, vão "deixar onde puderem"! Não é assim? Pois se vemos sujeira, ainda pensamos que a falha é das autoridades responsáveis que não instalam lixeiras suficientes!

Pois bem, lá não há lixeiras! OK, não é assim, absoluto, mas você terá que andar um bocado para encontrar as lixeiras, no plural, juntas, para o descarte seletivo. Simplesmente você não vê mais lixeiras pela cidade!

A mudança de paradigma é que cada qual cuida do seu lixo, esteja onde estiver. Não se gasta para fazer um trabalho desnecessário e que pode ser facilmente evitado...

O meu choque foi perceber que o nosso conceito comum de proporcionar lixeiras para evitar a sujeira já está completamente obsoleto! A nova fase é de se ter responsabilidade até o final do processo, cuidando do seu próprio lixo.

O que chama a atenção é que esta mudança é a próxima etapa da evolução de uma coisa muito simples, mas que na sua extensão pode significar que precisamos aceitar que outros problemas sociais não são de responsabilidade exclusiva das autoridades públicas.

É a falácia da vantagem individual. O melhor para cada um individualmente é o pior para toda a sociedade. No coletivo, pagamos e perdemos mais do que ganhamos no pessoal.

Um outro exemplo é o questionamento que faz um designer sobre a inconveniência do aparelho de ar-condicionado para a sociedade. Surpreso?

Pois imagine que para você ter uma temperatura agradável no seu escritório, você gasta energia e joga o calor indesejável para os outros no resto do mundo.Também tem aquela água pingando sobre os transeuntes e o ruído irritante, sem falar da feiura exposta à sociedade com os aparelhos dependurados por toda parte externa dos edifícios...

É mesmo viável manter o modelo no qual os que podem pagar pelo conforto podem prejudicar os demais?

Não está na hora de rever estas coisas?

Escrito por Yoshio Kawakami
Para contratar este palestrante: (11) 2221-8406 ou

Clique aqui

 

Informações Adicionais