Contribuição ou pontualidade?

Numa recente conversa sobre como melhorar a performance de um grupo e alcançar a excelência, surgiu o tema da disciplina como um dos fundamentos necessários. O rigor com a pontualidade das pessoas foi o exemplo escolhido para se avaliar a importância da disciplina.

A postura tradicional dos líderes é de valorizar a disciplina e considerar que questões como pontualidade são de grande importância para as organizações. Em geral, considera-se que as regras estabelecidas são importantes e devem ser seguidas à risca para que a organização consiga alcançar o nível de excelência.

É mesmo verdade quando se busca alcançar níveis inéditos de performance? Sem questionar a utilidade destas regras, questiona-se se estas tem mesmo uma relação direta com a performance.

Aparentemente, as organizações ainda estão presas aos momentos iniciais da criação da estrutura organizacional, que se espelhou na estrutura militar para formatar um modelo de "comando-e-controle". Taylor e Ford estabeleceram este pensamento sob forma de um processo industrial. É verdade mesmo que Ford disse que se pudesse contrataria apenas os braços dos trabalhadores?

Nos dias de hoje, o trabalho vai muito além do capitalismo cognitivo, sendo que a maioria das atividades dos profissionais está na área do conhecimento e da interação. A contribuição está na capacidade de encontrar soluções para problemas complexos, com inovações e criatividade.

É claro que no ambiente fabril a situação é diferente...

Mas, voltando à situação dos profissionais do conhecimento, a questão é a crença antiga que compara o ambiente de trabalho com o ambiente dos soldados. É evidente que não se pode imaginar uma operação militar sem sincronização.

Mas, quanto valem alguns minutos de atraso de um profissional cuja contribuição está no trabalho intelectual? Aliás, a mesma contribuição não poderia ser dada remotamente? Porque empresas de setores mais recentes trabalham com horário flexível e iniciam a sua jornada às 9:00 ou 10:00 horas da manhã sem perder competitividade?

A verdade é que, se um chefe cobrar o atraso de um colaborador poderá perder o melhor da sua contribuição, obtendo apenas a sua presença física e corporal. É isso que você quer? Não se trata de não ter regras e disciplina, mas a inteligência é tê-las onde necessárias e onde estas forem parte da contribuição!

A provocação ao pensamento é para refletir se você não estaria cobrando detalhes inexpressivos de seus colaboradores, irritando-os. Não seria porque você não consegue dar uma contribuição efetiva para melhorar a performance do seu colaborador e facilitar a sua vida?

Não é o cumprimento às regras de disciplina que constrói uma condição de alta performance. O problema é fazer as pessoas acreditarem que cumprindo as regras elas estariam fazendo o que se espera e que estariam contribuindo! Ou você não conhece ninguém que diz que é um bom funcionário porque chega no horário e cumpre as normas da casa?

Não seria melhor focalizar-se em criar o ambiente mais propício para o trabalho intelectual e criativo? Não seria a capacidade de criar nos colaboradores a vontade de fazer o melhor, ser o melhor e dar o melhor de sí, o segredo da excelência?

Acho que ainda não funciona ordenar a alguém que pense melhor, que ame ou que seja feliz. Mas você pode contribuir para que tudo isso aconteça...

O importante é saber o que realmente importa para deixar de perturbar as pessoas com detalhes inexpressivos. Não é o que elas gostariam que acontecesse?

Escrito por Yoshio Kawakami
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